Capa A Chave de Davi

Capa A Chave de Davi

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A religião verdadeira é a que faz da diversidade a unidade (Artigo de José Reis Chaves).

Texto a ser comentado de: José Reis Chaves:A religião verdadeira é a que faz da diversidade a unidade

PUBLICADO EM 01/05/17 - 03h00 
 
A religião, para ser verdadeira, é aquela que une fraternalmente todas as pessoas. Assim, o religioso fundamentalista, que faz da sua religião um instrumento de separação e de condenação das outras religiões, está na contramão das religiões. Na verdade, seu adepto é arrogante, orgulhoso, egoísta e sem uma das mais importantes e fundamentais virtudes, ou seja, a da humildade. Já o religioso verdadeiro respeita e até ama todas as outras religiões e, principalmente, seus adeptos.

Mas, infelizmente, o que mais vemos acontecer entre muitos religiosos é o contrário, pois, desarmonizam-se com os que não são seguidores de suas religiões ou sem religião, fazendo, pois, da sua uma religião exclusivista, isto é, como sendo a única verdadeira e salvadora. Mas o religioso autêntico tem uma crença inclusivista ou aquela que valoriza também as outras crenças e que respeita até o ateísmo, não discriminando, portanto, os ateus, que, por vezes, são melhores diante de Deus do que um religioso que está frequentemente na igreja.

Para essas pessoas assim, aqui vai o lembrete de um ensino muito oportuno do Mestre dos mestres sobre o que estamos falando nesta coluna: “Se, pois, trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5: 23 e 24). E por analogia com esse ensino, podemos dizer, de modo racional, que ele vale também para as nossas preces, sejam elas dentro de uma igreja, templo, sinagoga ou centro espírita. E esse ensino nos mostra que é necessário e que é até mais importante estarmos em paz com todos os nossos semelhantes do que estarmos fazendo qualquer espécie de um agrado a Deus, já que estarmos em paz com todas as pessoas, estaremos de fato religando-nos com Deus, o qual não precisa de nenhuma oferta.

E há religiosos fundamentalistas que apelam para tudo para fazerem de sua religião a única verdadeira, imitando a Igreja do passado que falava que fora dela não havia salvação, o que se justifica pelo fato de isso ter sido numa época em que a humanidade era ainda pouco evoluída, científica e culturalmente. Mas hoje, em pleno século XXI, há a Igreja dos Testemunhas de Jeová, a da Assembleia de Deus e outras igrejas evangélicas que ainda cometem esse mesmo erro egoísta de ensinarem que somente as suas respectivas igrejas salvam.

E muitos até passam por cima dos textos bíblicos fazendo da Bíblia uma grande confusão. Por exemplo, o adjunto adverbial grego “anothen” (de novo) do texto evangélico: “É necessário nascer ‘de novo’ para se conseguir o reino dos céus” (João 3:3), porque ele traz com uma clareza meridiana a ideia da reencarnação, e algumas igrejas passaram a traduzi-lo assim: É necessário nascer “do alto”, em vez de conservarem a tradução correta clássica nascer “de novo”.

Mas como diz o adágio popular, os que fizeram essa alteração do texto bíblico “deram com os burros n’água”, pois nascer “do alto” mantém igualmente a ideia da reencarnação, já que o espírito que reencarna vem também “do alto”!

Esses religiosos fundamentalistas contrários à verdade bíblica da reencarnação, além de falsificarem a Bíblia, levam as religiões aos conflitos, em vez de à diversidade com a unidade! Ademais, eles ainda se consideram os verdadeiros cristãos!

Fonte: Link da pupblicação original (clique aqui).
__________________________________________________________________________________

Comentários de Chester M. Pelegrini.

Este texto exprime brilhantemente a ideia do principal objetivo das religiões: A Paz entre os filhos de Deus, de suas criaturas. Religar a nós mesmos com Deus através do bem.

Alguns religiosos radicais pegam passagens pouco felizes das escrituras, escritas até mesmo por grandes profetas, mas que se fizermos uma análise espiritual e moral, chegamos a conclusão que são ideias ou preceitos presos a época em que foram escritos.

Acreditamos que o verdadeiro religioso espera de sua religião o transformar em uma pessoa melhor e não pior.

Evoluir nossa alma ou espírito (parte imaterial nossa) significa irmos em direção as qualidades morais-espirituais elevadas tais como amor, união, disciplina, virtude, grandes preceitos morais.

Nas três grandes escrituras sagradas do Deus de Abraão: (Torá judaica, Bíblica cristã e Corão islâmico) vemos uma imensidão de preceitos, ideias e mandamentos que tinham muito sentido quando foram escritos mas que eram relativos a época em que foram passados por Deus.

Por exemplo, na Torá há passagens de que os patriarcas judeus guerrearam com inimigos, mas que, como almejavam a paz não ficaram com os espólios da guerra, como era o costume da antiguidade mas sim devolveram aos antigos donos. Isso pode ter sido um ato moral muito relevante na época da antiguidade, que só tem sentido naquela época. Da mesma forma passagens dizendo que os escravos eram bem cuidados.

Atualmente a humanidade mais evoluída moralmente e espiritualmente condena a guerra e a escravidão e alguém considerado "bom" naquela época por tratar bem um escravo, ou devolver um bem ganho na guerra hoje não seria considerado tão "bom" quanto antigamente.

Desta forma ao estudarmos as escrituras sagradas do judaísmo, cristianismo e islamismo temos sim que relativizar algumas passagens nos pontos em que nós nos encontramos mais evoluídos que a própria escritura.

No Islamismo mesmo, talvez Deus de Abraão tenha permitido antes de nossa época atual o uso da violência para expandir a palavra de Deus entre os guerreiros árabes. Assim pode ter ocorrido também em relação a Igreja Católica que foi por um tempo violenta, mas que ajudou por outro lado a expandir o cristianismo no mundo Novo (Américas).

Mas como é dito no Apocalipse, após a humanidade estar "madura" não seriam permitidos mais "erros" (violência a principal delas).

Desta forma mesmo que encontremos partes violentas nas escrituras, temos que ignorá-las se quisermos evoluir espiritualmente. Se no mundo antes do juízo final era permitido a todos errarem individualmente e coletivamente, nestes momentos atuais de juízo final, Deus daria a humanidade menos espaço e menos tolerância aos erros cometidos.

Por isso o verdadeiro objetivo das religiões são trilhar caminhos que nos melhoram e nos levam para o Bem. Portanto tudo que é negativo, tal como discórdias, ódio, violência, inveja, rancor, ressentimentos, preguiça, assassinato, escravidão, entre outras qualidades, sentimentos ou emoções não devem ter como fundamento a religião.

Há passagens nas escrituras que também colocam medo na cabeça do fiel no sentido de que seria melhor seguir as escrituras do que a própria mente e consciência pessoal.

Mas se segundo nossa consciência pessoal somos levados por nossa religião a cometer o mal, a sermos radicais e violentos, pode ter certeza que está no caminho errado e assim como é dito no artigo de José Reis Chaves a verdadeira religião só pode nos fazer melhores e não piores. Deus enviou vários profetas e nos deu suas leis através de escrituras sagradas não para piorar o mundo, mas ao contrário o evoluir moralmente e espiritualmente cada vez mais, para a própria felicidade da humanidade.

Quando nos abstemos de fazer o mal, não só estamos cumprindo a verdadeira religião como estamos nos religando (origem da palavra religião) com o Deus Único de Abraão (Ser imaterial da dimensão espiritual inteligente criador e mantedor de todo o Universo), ou com nosso Pai.