Capa A Chave de Davi

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

O Diálogo é possível entre islâmicos e católicos apesar das diferenças teológicas e dogmáticas.

800 anos depois, islâmicos e 

católicos relembram diálogo 

marcante.






PINTURA RETRATA O ENCONTRO ENTRE O SULTÃO DO EGITO AL-MALIK E SÃO FRANCISCO, EM 1219 (REPRODUÇÃO).


Em 1219, São Francisco de Assis e o sultão do Egito al-Malik fizeram um encontro histórico em busca da paz e da harmonia


O início deste ano de 2019 foi marcado por um evento inter-religiosamente importante. O líder da Igreja Católica, Papa Francisco, e o Sheikh da Universidade de Al-azhar, Prof. Dr. Ahmad al-Tayeb, realizaram o Encontro da Fraternidade Humana em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, e em consequência disso assinaram o Documento Sobre a Fraternidade Humana em prol da paz e da convivência comum. O documento não se restringiu apenas aos membros das duas comunidades, cujos líderes estavam ali assinando o documento, mas sim a toda humanidade sem nenhuma restrição. Os tópicos principais deste documento tratavam de direitos humanos, liberdade religiosa/fé/crença e sacralidade da vida humana, e condenava-se a barbaridade que das guerras e do terrorismo resulta. Estes, porém, são apenas alguns dos assuntos abordados pelo documento.


Além desta ocorrência histórica, em meio a tantas turbulências e problemas, este ano remete à memória de algum outro marco histórico para ambas as comunidades. Oitocentos anos atrás, o outro Francisco, que hoje é santo da Igreja, em meio às turbulentas batalhas das cruzadas, cruzou as linhas de guerra e foi ao encontro com o sultão do Egito, al-Malik al-Kamil al-Ayoubi, em 1219. A história é marcante, pois homem sedento de paz e de harmonia foi ao encontro do outro que também era sedento da paz e cansado de ver o sangue dos filhos dos outros. Este evento histórico marcou a amizade de um frade católico e um sultão muçulmano. Esta amizade, segundo o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, deu a oportunidade de os frades franciscanos até hoje trabalharem no Egito e na região ao redor.


No último sábado, dia 28 de setembro, as entidades islâmicas Federação das Associações Muçulmanas no Brasil (FAMRAS) e União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI), e as entidades representativas dos frades franciscanos Conferência da Família Franciscana no Brasil (CFFB) e a Ordem dos Frades Menores (OFM), realizaram o evento em memória do encontro entre o sultão e São Francisco de Assis na Mesquita da Misericórdia, situada na região de Santo Amaro. O evento iniciou-se com a plantação da Árvore da Fraternidade. Nesta ocasião, os líderes religiosos da comunidade islâmica e das entidades franciscanas plantaram uma árvore de ipê desejando que gere muitos frutos de diálogo e da irmandade junto as suas cheirosas flores. Logo depois, passou-se ao Salão Multiuso da Mesquita, onde aconteceram as palestras, mostras artísticas e homenagens aos líderes religiosos que estavam presentes. As palestras foram marcadas com as falas de irmã Cleusa Aparecida Neves, frade César Külkamp e Sheikh Muhammad al-Bukai.


A irmã Cleusa, presidente da CFFB, denunciou a falta do diálogo e o autoritarismo que está crescente. O frei César, provincial da Província Franciscana, usou das palavras de Dom Helder Câmara, afirmando que devemos adotar a humanidade toda por família.á o Sheikh Muhammad al-Bukai afirmou que o ser humano tem tendências à eternidade, mas o que dura eternamente são as nossas ações. Em continuidade de sua fala, o Sheikh afirmou que nas guerras não há vitória, todos perdem. Lembrando do ato de São Francisco e do Sultão al-Malik em busca da paz, ressaltou que este é um ato que durará eternamente. Ao finalizar, faço das palavras deles as minhas e ressalto que o que foi realizado na noite do dia 28 de setembro é uma semente que gerará muitos frutos pela frente. Mas nenhum de nós recolhê-las-á, esta é a parte mais importante do que se faz em prol do diálogo. Desejo que as futuras gerações possam colher os frutos da árvore de irmandade.


Fonte: KUS, Atila, Carta Capital. 1 out. 2019. Diálogos da Fé. 800 anos depois, islâmicos e católicos relembram diálogo marcante. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/800-anos-depois-islamicos-e-catolicos-relembram-dialogo-marcante/ Acesso em: 1 out. 2019. 


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Análise e comentários de Chester M. Pelegrini da matéria.


As religiões nada mais são que tentativas humanas de desvendar os desígnios de Deus, o criador do Universo e estabelecer suas regras de moralidade, civilidade, harmonia e comunidade da humanidade.


Se Deus criou o mundo e está presente em todos nós, suas criaturas, entendemos que logo somos todos irmãos de alma/espírito, além também de sermos irmãos biológicos, como consta as recentes descobertas científicas de que a humanidade ao regredir no estudo dos genes de nossos ancestrais vemos que a família humana realmente se originou de pouquíssimas famílias muito próximo do relato Bíblico da metáfora de Adão e Eva.


Ao longo da história os grandes profetas, tais como Adão, Noé, Abraão (Pai das Fés Abrahamicas), Moisés (Judaísmo), Jesus, (Cristianismo) Maomé, (Islamismo) Bahá´u´u´lláh, Allan Kardec, (Doutrina Espírita) Joseph Smith (Igreja de Jesus Cristo Santo dos Últimos dias), Meishu-Sama (Religião Oriental Igreja Messiânica Mundial) entre diversos mensageiros de Deus e da Luz que veem com a missão de trazer a Luz de Deus para a Terra. 


Engana-se quem pensa que um único mensageiro contém toda a verdade e a luz divinas, várias religiões são portadoras de caminhos igualmente iluminados, para que Deus, sabendo das diferenças de gostos, culturais, aptidões, e diversidade natural de seus filhos tenham todos a mesma oportunidade de seguirem o caminho da luz, que mais se identificarem com a própria evolução espiritual.


Os profetas, mensageiros e líderes espirituais nada mais são que construtores e pedreiros a serviço do Grande Arquiteto do Universo com objetivo de aumentar o nível moral e espiritual do nosso planeta, todos eles formam colunas do Templo da paz e união que é o objetivo primordial da criação divina, que nós, seus filhos vivamos com saúde, paz, prosperidade e união apesar das diferenças.


Não é preciso criar religiões novas, ou sincretismo religioso, acreditamos que os caminhos são diferentes e assim devem permanecer. Judeus continuarão a não aceitar Jesus como messias, nem como uma trindade divina, islâmicos continuarão defendendo que Jesus foi somente um profeta e não Deus encarnado como acreditam os cristãos católicos e outras vertentes. 


Essas diferenças entre os caminhos de fé sempre existirão. O que não deve mais existir no futuro são guerras, perseguições, terrorismo fundados em fés e caminhos diferentes. O ser humano deve preservar a diversidade e as diferenças. Dentro de uma mesma família as vezes há pessoas de diversas religiões, dentro de uma cidade há diferentes bairros com costumes diferentes, em diferentes regiões de um mesmo Estado de um mesmo país há culturas e hábitos radicalmente opostos e valores diferentes.Mas é assim mesmo que tem que ser, vivemos em nações diferentes, nascemos em famílias com acontecimentos, costumes e hábitos diferentes, fazemos amizades e temos colegas de trabalho, clientes, patrões, de diferentes formações acadêmicas, religiões, ponto de vista políticos, hábitos, hobbys, torcem para times diferentes. As vezes até mesmo um casal de homem e mulher tem opiniões radicalmente opostas e nem por isso deixam de se amar. Acreditamos que no futuro, as religiões não irão se unir, as doutrinas não irão se fundir, não haverá ecumenismo apocalíptico, nem sincretismo entre diversas religiões.


Mas pode haver sim a convivência harmoniosa, o respeito mútuo, o diálogo, porque na verdade a sociedade já é assim em vários aspectos, as vezes até fora do Âmbito das religiões. O capitalismo faz com que pessoas de diversas matizes ideológicas colaborem entre si de forma espontânea o que acaba também auxiliando ao diálogo e a manutenção da paz. Minha aposta é que o diálogo entre os líderes das principais religiões irá aumentar, não por uma questão de ser "politicamente correto" por ser "errado o ódio aos diferentes", mas simplesmente porque todos irão aumentar seu nível de entendimento e consciência e vão enxergar a luz no próximo assim como enxergam em si próprios. As religiões devem coexistir, porque são vários caminhos válidos, e complementares assim como as classes de uma escola. Cada profeta veio em um momento histórico nos trazer lições que são complementares umas as outras. 


Há divisões, e é natural que haja mesmo, as religiões se assemelham a galhos das árvores ou mesmo os afluentes de rios, as divisões servem para criarem outros grupos que tenham mais afinidade natural. Deus é perfeito e faria sua obra de forma perfeita. Por isso é inútil a pergunta: "Qual religião é a correta?". Aos que respondem: "Só o meu caminho é iluminado", na verdade precisam estudar ainda mais e aprimorar seu espírito e seu entendimento das coisas imateriais. Todos os grandes caminhos são iluminados, e apenas por ranço e competição religiosa líderes religiosos radicais dizem que só eles próprios possuem a luz verdadeira, utilizando passagens adulteradas das escrituras. Jesus por exemplo nunca deve ter dito que somente "ele é o caminho" só vem a Deus através de "mim". É óbvio que essas passagens foram acrescentadas por líderes religiosos radicais que geraram e ainda geram muita confusão e ódio desnecessário. Da mesma forma que respeitamos nossos familiares que possuem visões diferentes, é muito possível e provável que a humanidade consiga viver em paz, mesmo com pessoas nascendo em países diferentes, tendo culturas diferentes, opiniões e seguindo caminhos de luz diferentes. Essa comemoração do encontro entre São Francisco de Assis e o sultão do Egito são pequenas sementes de paz, que se tornaram com a glória de Deus grandes e frondosas árvores seculares semelhantes as existentes na Amazônia. Frondosas e firmes como está na vontade do Deus Único de Abraão que sustenta e ilumina todos seus diversos ramos.








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